Filosofia: Ensino e Pesquisa

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Crenças religiosas: algumas reflexões




Antonio Marques

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
João 8:32


"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará."
E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
João 8:32
 João 8:32



DEDICATÓRIA

Dedico este texto à todos que tentam compreender o mistério da vida e que tenham pelo menos um mínimo de inquietações sobre este mundo misterioso. Que ainda se pergunta: por que nascemos? O que nos acontece depois desta vida na matéria? Que é a vida na realidade? Alguma força criou e mantém este mundo?


DIREITOS HUMANOS

Conforme o art. 5º, inciso VI da Constituição Brasileira, "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” O mundo tem espaço para os mitos e os ritos,... para a fé de todos. Mas será que há espaço para os que não tem fé? Somente num mundo onde a diferença é soma e não divisão. E parece que nem sempre este é o caso.

Como devemos reagir diante da descrença em nossas crenças? Ao fato de que outros pensem de modo diferente do nosso? O que pode ser feito se os crentes vêem o invisível, ouvem o inaudível e conhecem o que excede todo o entendimento? Estarmos abertos para conhecermos o diferente nos ajuda muito. Nos tornamos mais compreensíveis, menos fundamentalistas. Ser flexível em mudar nossa forma de pensar é extremamente necessário para entender o outro. Sejamos pacientes em escutar e tardios em irarmos. A credulidade, a aversão à dúvida, o deter-se em conhecimentos parciais, isto e coisas semelhantes nos impede de construirmos um mundo para todos. As comunidades religiosas, em geral, quando são questionadas em seus dogmas, tornam-se ainda mais fervorosas. Entre os riscos de se discutir religião quase sempre encontramos o de trocar a análise das ideias que o outro propõe pelo mero insulto ao interlocutor. Podemos e devemos dialogar sobre nossas discrepâncias com respeito à religião e qualquer outro assunto. A desvalorização e repressão de uma função tão importante como a religiosa tem, naturalmente enormes repercussões na psicologia do indivíduo.

Sem negligenciar as relações entre base material (estrutura) e base espiritual (superestrutura), contudo sem aceitar qualquer determinismo, não se pode negar que as ideias, e sobretudo as religiosas, são elementos plásticos poderosos na formação do caráter. Mas ser teísta, deísta, ignóstico, agnóstico ou ateu não é o que determina de que lado estamos, senão se lutamos pelo que contribui a libertar a humanidade ou se defendemos o que a oprime. Não é a crença em um deus que torna uma pessoa boa. Há delinquentes entre os crentes há virtuosos entre os não-crentes. É possível haver moralidade sem o supremo juiz de deus. É possível não ser criminoso sem ter medo do inferno. As pessoas não são ruins, nem boas, elas estão sendo ruins ou boas e numa quantidade substancial, podem ser aquilo que educarmos para que sejam.


DEUS EXISTE?
Se não tem sido possível provar a existência de deus, a sua não existência muito menos. Quanto ao deus onisciente, onipresente, onipotente,...um deus justo que pune as criaturas que ele criou cheio de fraquezas, este é insustentável. E o ônus da prova é de quem afirma. Um conhecimento para ser aceito deve ser acessível por todos. O domínio do escapável é inegavelmente mais amplo do que o que conhecemos e a vida é realmente um mistério, mas inventar um criador não resolve o problema, apenas o transfere de lugar. Quem criou deus? Quem criou o criador de deus?...e assim ad infinitum.

Se eu afirmo que existem dragões quem lêem a bíblia no fundo do mar eu é que devo provar que existem, não o contrário. O mesmo se aplica a deus e aos demais seres sobrenaturais. Não basta que eu não creia em algo para que esse algo deixe de existir, no entanto o contrário também se aplica. Não é porque alguns muitos milhões de pessoas acreditam que deus exista, que isso passará a ser fato. Quando estudamos, por exemplo, a física moderna, vemos que há a necessidade de crer em algo que não vemos, que não tocamos, que não sentimos, que nem sabemos que existe, mas que de alguma forma deve existir para que todo o resto faça sentido. Mas o sobrenatural não é aceito como explicação para lacuna nenhuma no estudo da física. Sabe-se que há uma explicação racional e natural, só não se conhece tal explicação ainda. E busca-se justamente dados e teorias que preencham, de maneira comprovável, tais lacunas. Se não está provado pode não ser falso, mas também não é aceito como se fosse verdadeiro.

Pode ser que deus não exista. Mas se ele não existe então tudo é permitido? Depende do indivíduo. Se ele crê que sim, tudo pode ser permitido, com a existência ou não dos deuses. Tudo porém tem consequências. Tudo podemos, mas nem tudo nos convém. (Bíblia) Agora caso deseje que sua ação seja justa, então: "Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, por tua vontade, lei universal da natureza" (Kant)


PROBLEMA DO MAL


Se o deus do qual falam os cristãos existisse, aparentemente, ele não seria bom e todo poderoso porque existe o mal. Como pode um deus bondoso e todo poderoso permitir a existência do mal? Parafraseando Epicuro: das duas uma, ou deus pode acabar com a maldade do mundo e não quer ou ele quer e não pode, se ele quer e não pode, ele não é todo poderoso, se ele pode e não quer, ele não é bondoso.

Mas e se o mal é necessário para o aprimoramento moral? As dúvidas continuam: mas porque tanto mal assim? O que deus fazia quando humanos eram concentrados e exterminados nos Campos de Concentração nazistas? O que ele faz hoje diante de Gaza e Cisjordânia? Segundo estatísticas morre inúmeras pessoas de fome e doenças curáveis a cada poucos segundos no Planeta Terra, e o que Deus está fazendo? Algum padre, pastor, rabino, mufti, lama, pai ou mãe-de-santo, guru.... consegue responder? 



LIVRE ARBÍTRIO

Livre arbítrio? Imagina seu filho de poucos anos de idade dizendo que não quer te obedecer diante de uma ação qualquer que o expõe a riscos e então você diz: "_ Tudo bem meu filho você é livre pra escolher.” Isto é a postura de um pai/mãe? Se neste caso caberia a intervenção serena em detrimento da liberdade, o que dizer então de um suposto criador em relação à nós criaturas? A humanidade tem dado mostras suficientes de que usa bem esse suposto "livre -arbítrio"? Ou vamos resolver este problema com alguns jogos linguísticos dizendo que não há mal, só há ausência de bem? Se há livre arbítrio não pode haver onisciência. Se há livre arbítrio é dentro das possibilidades que deus supostamente criou. Se deus sabe o nosso futuro, não há escolha, não há liberdade. Se deus nos fez, só temos a liberdade que ele nos permitiu. Se tudo que existe foi deus quem fez então ele é o responsável pela existência do mal, ele é o responsável por criar um "paraíso cujas maçãs são proibidas", ele é o responsável por criar Lúcifer com inveja de sua obra. 



QUANTO DE AMOR?


E mesmo que assim o fosse, se o diabo, a criança de deus, existisse, não teríamos que amá-lo como a nós mesmos? Não é perdoando que se é perdoado? Se o Diabo existe e está tão doente assim, com tanto ódio e maldade, não se deve ser cristãos com ele? Ou o cristianismo faz acepção de pessoas? Não se aplica à todos? Não é amando-o sem segui-lo que ele pode ser curado?

QUAL LIVRO SAGRADO?

E sobre a bíblia. Por que acreditar nela e não no talmud ou no alcorão ou no Bhagavad Gita, ou em outro livro que outros credos e/ou culturas dizem ser sagrados e revelados, ou mesmo por que não acreditar apenas nos mitos repassados por tradições eminentemente orais, sendo os povos ágrafos ou não? Qual é o critério?


RELIGIÕES: fatalismo, individualismo, 


Alguns credos e são muitos (segundo a World Christian Encyclopedia, edição de 2001, só cristãs existem 33 830 denominações distintas) propagam um certo fatalismo, uma espécie de justificação das condição sociais de produção, de propriedade e de poder. O fatalismo das classes exploradas e oprimidas também são assegurados por tradições religiosas. 


E o individualismo egoísta é reforçado pela doutrina de que a vida na terra é mero interlúdio na história eterna da alma. “O Cristianismo criou o princípio do individualismo através da sua doutrina da alma imortal, uma imagem de Deus.” (HORKHEIMER, 2002, p.142) .




DEUS ANTROPORMÓFICO

“Darwin rompeu com o dogma fundamental do Cristianismo – o de que Deus criou o homem segundo a própria imagem. (HORKHEIMER, 2002, p.128) Não nos deveria ser mais possível nos declarar à imagem e semelhança do invisível. (ADORNO, HORKHEIMER, 1985, p.21). E já na antiguidade clássica Xenófanes de Cólofon, combatia a concepção antropomórfica dos deuses: “Tivessem os bois, os cavalos e os leões mãos, e pudessem, com elas, pintar e produzir obras como os homens, os cavalos pintariam figuras de deuses semelhantes a cavalos, e os bois semelhantes a bois, cada (espécie animal) reproduzindo a sua própria forma.”


A VIDA DE JESUS E O SER CRISTÃO


Mas para além da existência e dos atributos de deus, outras perguntas também merecem ser feitas, mesmo que não possam ser respondidas. O que é ser cristão de verdade hoje? Suportar resignadamente a estafa, as privações e a fome dos outros? É amar o próximo como a si mesmo? Quem fez isso? Quem faz isso? São Francisco de Assis? Madre Teresa de Calcutá? Irmã Dorothy? Dom Helder Câmara? Os teológos da prosperidade? Ou o único e último cristão morreu na cruz? (Nietzche)

Segundo David Strauss, em “A vida de Jesus” os ensinamentos originais de Jesus tem sido deturpados e modificados através dos séculos por espúrios propósitos políticos. Segundo ele Jesus estava liderando um movimento de massa dos pobres e oprimidos da sociedade. Strauss argumenta que a mensagem original de Jesus não eram destinadas para o establishment, seus ensinamentos tem sido usurpados para manipular e oprimir as populações do mundo prometendo a elas uma recompensa no pós-vida se elas se mantiverem obedientes e não se rebelarem contra a estrutura social.

Não é difícil constatar que a inúmeros crentes é apresentada uma doutrina que estimula a projeção de fantasias para o mundo. Crentes são encorajados a acreditar em milagres e a idealizar todas as fraquezas deles imaginando um deus onipotente, onisciente, imortal que representa a antítese de todas as falhas  humanas ou se tenta, entre outras possibilidades, sustentar filosoficamente uma deus que, no ato da criação, renunciou à sua onipotência em benefício da liberdade do homem, tornando-a igual à sua. Os crentes por sua vez encorajam a superstição e tentam fazer as pessoas acreditarem naquilo que não podem provar. Em muitas concepções de mundo religiosas, estimula-se a crer numa dualidade, na qual a realidade empírica é abandonada à sua existência, ao seu modo de ser (sociais), tal estrutura pode assumir desde a prescrição de “Dai a César o que é de César”, da santificação luterana da ordem estabelecida ou da “não-resistência ao mal” tolstoiana. (LUKÁCS, 1974, p.212) Há séculos que os subalternos suportam passivamente a miséria e a servidão e graças entre outros motivos as ideologias religiosas e à visão horrorosa do inferno. As religiões procuram insensibilizar a miséria, nos anestesiar dos sofrimentos.

Quantas são as vítimas dos estelionatários da fé? Infelizmente é abundante aqueles que entregam seus discernimentos a um líder religioso, que prega opniões e dogmas como verdades. A superstição, alicerçada na ignorância e no medo, foi sempre um formidável instrumento de dominação. Algumas formas religiosas continuam com seu parasitismo sobre a população roubando suas riquezas e liberdade de pensamento e deixando apenas a passividade e a obediência a uma ordem social burguesa. Seitas pentecostais, o niilismo e o narcotráfico avançam resolutamente na periferia das grandes cidades, onde está parte considerável da classe trabalhadora brasileira. 


IDEOLOGIA


Mas se alguém engana, é porque uma outra pessoa ter parte na responsabilidade de estar sendo enganada? Aquele que ignora não é em partes responsável pela própria ignorância?

Uma forte devoção espiritual pode também servir de fachada para propósitos, inconscientementes ou não, egoístas. “Vê-se por aí que os interesses de Deus e dos empregadores são curiosamente harmônicos.” (WEBER, 2004, p.228). Uma espiritualidade de fachada que não está incorporada no dia-a-dia e em nossas atitudes com tudo o que nos cerca. Muitos praticam a religião motivados materialmente, buscando obter dos deuses retribuição na forma de favores de cura, riqueza material, beleza, poder, sexo e fama...E continuam acreditando em todas as mercadorias da Nova Era, no floral “resolve tudo”, no incenso "remove-tudo", no elixir "me-faça-feliz-instantaneamente" ou ainda fórmulas mágicas que resolvam tudo do dia para a noite.



ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS

Mas há também outras formas religiosas contrárias. Para determinados indivíduos a religião também é benéfica. Os lugares de culto também são espaços sociais, de encontro, de amizade....Devemos por isso tornar a fé uma questão de utilidade? Aceitarmos conscientemente os dogmas? A crença na crença é um excelente remédio para as dificuldades sociais e psicológicas dos nossos dias?


Mas aqueles que acreditam que a vida humana não é senão a preparação para uma existência além da vida não nos exorta a temer os deuses e sua vingança? Não há quase sempre uma escatologia com castigos e recompensas, de acordo com o procedimento moral de cada um? “Felicidade no além" ou "castigos no Hades"? Não foi como realização do próprio princípio da fé que se cometeram os horrores do fogo e da espada, da contra-reforma e da reforma? (ADORNO, HORKHEIMER, 1985, p.33)

“Referindo-se a uma seita moderna do seu tempo, que ele chama de “movimento de cura espiritual”, James diz: O resultado óbvio de nossa experiência total é que o mundo pode ser conduzido segundo muitos sistemas de ideias, e é portanto conduzido por homens diferentes, e de cada vez dará alguma espécie característica de proveito, pelo qual se interessa aquele que conduz, enquanto ao mesmo tempo alguma outra espécie de proveito tem de ser omitida ou adiada. A ciência nos deu a todos o telégrafo, a luz elétrica e a diagnose clínica, e alcançou êxito na prevenção e cura de certo número de doenças. A religião, na forma de cura do espírito, dá a alguns de nós a serenidade, o equilíbrio moral e a felicidade, e impede certas formas de doença tanto quanto a ciência, ou até de modo mais eficaz em certa classe de pessoas. Evidentemente, então, tanto a ciência quanto a religião são chaves legítimas para abrir os tesouros do mundo àquele que puder usar qualquer uma delas na prática.” (The Varieties of Religious Experience, New York, 1902, p.120 apud HORKHEIMER, 2002, nota 40, p.56)



KIERKEGAARD 

E mudando outra vez de assunto. Que salto é este que nos possibilitará compreender que as “verdades” metafísicas, morais e religiosas, como a existência de deus, a justiça divina após a morte e a imortalidade, são inalcançáveis através da razão e só serão compreendidas por intermédio da fé? Kierkegaard consegue nos convencer (ou seria converter?) de que não devemos adotar a razão como medida final para todas as coisas?

MUITAS PERGUNTAS EM ABERTO E SUSPENSÃO DO JUÍZO

Prefiro manter em aberto alguns questionamentos:

Algo permanece após a decomposição do corpo físico? Se sim, é a alma? Ela é imortal? 

É possível projetá-la? É possível substituir a "fé" questionável pela certeza íntima e inabalável pela projeção da consciência, conhecida popularmente como viagem astral: a capacidade de deixar nosso corpo físico enquanto dormimos, explorando o mundo físico à nossa volta, bem como outros planos espirituais? 


Escolhemos nosso destino antes de reencarnar? 


É possível fazer regressão à vidas anteriores? 


É possível deixar de nascer (sair do Samsara – a roda das reencarnações)? 


Existe poderes psíquicos latentes no homem? É possível despertá-los através de mantras, enteógenos e meditação? Existe clarividência? Clariaudiência? Psicometria? Psicografia? Telepatia? Telecinese? Levitação? Ubiquidade?

Há uma energia primordial (kundalini), que se encontra adormecida, enrolada na base da coluna vertebral e que pode ser despertada, tanto de forma espontânea, acidental ou por meio de técnicas (posturas - “asanas”, respiração - “pranayama”, gestos de dedos e mãos - “mudras”, contrações corporais - “bhandas” e entoação de sons - “mantras”), dotando o indivíduo de uma consciência além da percepção comum e de poderes (siddhis) além das habilidades normais? 

Existe a aura, uma luz radiante em forma oval ou circular que rodeia o corpo físico e se expande além dele? 

Existe chakras, círculos ou vórtices de energia? Há canais de energia (ida, píngala e shushumna) no corpo? 

Existem orixás? Pouco importa se as entidades das religiões afro-brasileiras sejam verdadeiras ou não passem de seres ilusórios? O afastamento da consciência da humanidade dos seus mitos, em nome da ciência, não foi uma boa coisa? O problema da crise do paradigma nas ciências da sociedade e do ser humano poderá ser resolvido somente ao consentirmos uma radical revisão das relações entre ciência e mito, entre ciência e arte, entre ciência e culturas de resistência? (GAUTHIER, p.24 - 30)

O que são os sonhos? É possível sonhar com consciência e aprender durante os sonhos? 

É possível adivinhar o futuro (profecias)? 


A magia, a feitiçaria, os encantamentos, a divinação, a alquimia, a astrologia, radiestesia, quirologia, quiromancia funcionam? 


Existem milagres? 


Há poderes mágicos ocultos nas plantas, animais e pedras? 


As artes divinatórias, as práticas taumatúrgicas, os êxtases xamânicos funcionam? 


Algumas mentalidades ligadas à cultura popular fazem parte de leis ainda não conhecidas da natureza ou não passam de crendices repetidas por medo e ignorância? 




EPISTEMOLOGIA

Como se proteger para não tomar enganos por certezas? Superstições por fatos? 

Se tais assuntos estão entre os caminhos que não podem ser estudados senão tentando praticá-los, o tema inevitavelmente encontrará pela frente juízos precipitados e arrogantes.

Se um intelecto imperativo é inibidor dos sentidos psíquicos, um misticismo temporário pode se útil ao religare. Através de experiências-limites, desenrijecedoras e deslimitadoras da subjetividade, que ultrapassam os limites traçados pela individuação, em que o sujeito experimenta o desvencilhamento de sua referência ao eu possibilita escapar ao universo fechado da razão e à percepção cotidiana, subvertendo os modos de percepção e vivência ditados pela convenção. São efeitos que representam um outro de realidade e possibilitam um certo efeito iluminador, não mensurável conforme as coisas cotidianas, pois escapam a um exame homogeneizador que assimila o estranho ao conhecido e explica o imprevisto com o auxílio do habitual. A busca do êxtase místico,...não significa disposição a manter-se em êxtase permanente, embora talvez seja verdade, que alguns dos que buscam experiências de alteração da consciência não conseguem voltar ao estado anterior. 



CONCLUSÃO

"Mas a vida é cem vezes curta demais para que nela aborreçamos"...um instante e tudo se acaba. "Serenidade para aceitar o que não pode ser mudado, coragem para mudar o que pode e sabedoria para discerni-las."

Contamos com o apoio e a cooperação dos Seres Invisíveis, dos Sábios Ancestrais, dos Mestres Realizados de todos os tempos e de todas as Culturas. Bênçãos de Luz, de Paz e de Amor. Que a paz esteja convosco e que a sabedoria recaia sobre vós! Creia se te consola.

Referências Bibliográficas:
ADORNO, Theodor, HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento: fragmentos Filosóficos. Tradução: Guido Antonio de Almeida, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985
BORNHEIM, Gerd A. (Org.) Os Filósofos Pré-Socráticos. São Paulo:Cultrix, 13ª ed. 2005.
GAUTHIER, Jacques. O que é pesquisar – Entre Deleuze-Guattari e o candomblé, pensando mito, ciência, arte e culturas de resistência. (disponível na internet)
HABERMAS, Jürgen. O Discurso Filosófico da Modernidade: doze lições. Tradução Luiz Sérgio Repa, Rodnei Nascimento. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
HORKHEIMER, Max, Eclipse da Razão - Centauro Editora – Tradução de Sebastião Uchoa Leite. São Paulo: Centauro, 2002.

KANT, I. Fundamentação da Metafísica dos Costumes e Outros Escritos. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002.
LUKÁCS, Georg. História e Consciência de Classe - estudos de dialéctica marxista. Biblioteca Ciência e Sociedade - Publicações Escorpião, Porto, 1974.
WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. 3ª Edição. Livraria Pioneira Editora. São Paulo, 1983.

Sites:
http://www.atea.org.br/ (acessado em 13/02/2011)
http://www.bibliadocetico.net/ (acessado em 14/03/2001)

Filmografia:
JUDITH, Anodea. “The Illuminated Chakras” (Parte 1 de 3) in: http://www.youtube.com/watch?v=gEFM6QT0vzU (acessado em 16/02/2011)

2 comentários:

  1. Simplesmente fantástico.
    Seu texto manifesta não apenas a perspicácia acadêmica, mas também uma sensível percepção metafísica.

    Muito bom mesmo.

    Dentro deste tema, tenho um post que também pode te interessar:
    http://teorizoando.blogspot.com/search?q=a+morte+de+deus

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  2. Valeu! Tb gostei bastante do seu texto! Parabéns!!
    Ele, com sinceridade, nos exorta a “viver em função da melhora de si mesmo e da melhora da coletividade humana”. Eis o resultado da fuga das amarras tridimensionais.
    Será que há mesmo uma essência e/ou natureza humana? O que significa esta tese para a liberdade humana de se construir e evoluir?

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