Filosofia: Ensino e Pesquisa

Que todos os seres sejam felizes! Que todos os seres tenham paz! Que todos os seres sejam livres!

sábado, 10 de dezembro de 2016

Pelos Direitos dos Meninos



Que nenhum menino seja coagido pelo pai a ter a primeira relação sexual da vida dele com uma prostituta (isso ainda acontece muito nos interiores do Brasil!)

Que nenhum menino seja exposto à pornografia precocemente para estimular sua “macheza” quando o que ele quer ver é só desenho animado infantil (isso acontece em todo lugar!)

Que ele possa aprender a dançar livremente, sem que lhe digam que isso é coisa de menina

Que ele possa chorar quando se sentir emocionado, e que não lhe digam que isso é coisa de menina

Que não lhe ensinem a ser cavalheiro, mas educado e solidário, com meninas e com os outros meninos também

Que ele aprenda a não se sentir inferior quando uma menina for melhor que ele em alguma habilidade específica – já que ele entende que homens e mulheres são igualmente capazes intelectualmente e não é vergonha nenhuma perder para uma menina em alguma coisa

Que ele aprenda a cozinhar, lavar prato, limpar o chão para quando tiver sua casa poder dividir as tarefas com sua mulher – e também ensinar isso aos seus filhos e filhas

Na adolescência, que não lhe estimulem a ser agressivo na paquera, a puxar as meninas pelo braço ou cabelos nas boates, ou a falar obscenidades no ouvido de uma garota só porque ela está de minisaia

Que ele não tenha que transar com qualquer mulher que queira transar com ele, que se sinta livre para negar quando não estiver a fim – sem pressão dos amigos

Que ele possa sonhar com casar e ser pai, sem ser criticado por isso. E, quando adulto, que possa decidir com sua mulher quem é que vai ficar mais tempo em casa – sem a prerrogativa de que ele é obrigado a prover o sustento e ela é que tem que cuidar da cria

Que, ao longo do seu crescimento, se ele perceber que ama meninos e não meninas, que ele sinta confiança na mãe – e também no pai! – para falar com eles sobre isso e ser compreendido

Que todo menino seja educado para ser um cara legal, um ser humano livre e com profundo respeito pelos outros. E não um machão insensível! Acredito que se todos os meninos forem criados assim eles se tornarão homens mais felizes. E as mulheres também serão mais felizes ao lado de homens assim. E o mundo inteiro será mais feliz.

O machismo não faz mal só às mulheres, mas aos homens também, à humanidade toda.

Autoria: Sílvia Amélia de Araujo

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Você faz feliz às pessoas que estão ao seu lado?



Um casal tomava café no dia das suas bodas de ouro.
Enquanto a mulher passava a manteiga na casca do pão para dar a seu marido, pensava: “sempre quis comer a melhor parte do pão – o miolo! Amo demais meu marido e, por 50 anos, sempre lhe dei o miolo para agradá-lo... hoje acho que tenho o direito de satisfazer o meu desejo...”
Para sua imediata surpresa, o rosto do marido abriu-se em um sorriso sem fim e ele disse:
- Muito obrigado, meu amor. Durante 50 anos, sempre quis comer a casca do pão, mas como você sempre gostou tanto dela, jamais ousei te pedir!
Ninguém é responsável pela sua infelicidade. Muitas vezes, nosso julgamento sobre a felicidade alheia pode ser responsável pela nossa infelicidade...
Diálogo, franqueza e transparência sempre serão ótimos remédios para perceber que a felicidade não mora na ausência de problemas, mas sim em como trabalhamos suas soluções.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Da dialética parte - todo


O problema não é ver que o coração não é um rins ou que o sistema digestivo é diferente do sistema circulatório, cardiovascular, linfático, excretor...o problema é não ver que os sistemas compõem um organismo. Se olhamos para a floresta e não enxergamos que ela é composta de árvores, alguma coisa está errada, mas se olhamos para as árvores e não percebemos que elas fazem parte de uma floresta, alguma outra coisa continua errada, daí a importância da dialética com seus três elementos: totalidade, mediação e contradição.

sábado, 24 de setembro de 2016

A esquerda, a direita e o maniqueísmo - Antonio Marques


Tenho insistido que nossa linguagem ainda é bastante insuficiente para dar conta da complexidade dos fenômenos existentes. Mas com um pouco mais de cuidado e reflexão podemos evitar alguns abusos destas precariedades linguísticas. Refiro-me às categorias esquerda e direita. Elas surgiram no contexto da Revolução Francesa e representavam as posições físicas e políticas dos membros da Assembléia Nacional, os partidários do rei ficavam à direita do presidente e simpatizantes da revolução à sua esquerda. 

A ciência política e as análises políticas feitas por não cientistas, desde então, tem com frequência feito uso de tais categorias. 

Hoje, podemos dizer, de modo bastante simplificado que dentro da dicotomia igualdade-liberdade, a esquerda se posiciona mais pela igualdade e a direita mais pela liberdade, incluindo aqui a liberdade econômica, a liberdade da burguesia de continuar explorando a mais-valia, a liberdade de manter a concentração de poder e propriedade a despeito da situação de todos. 

A esquerda, em tese, tem mais empatia pelo sofrimento humano, a direita é mais egoísta e individualista. Obviamente que estas categorias não são estanques e que funcionam em forma de espectro, são categorias relacionais. O PT pode ser esquerda quando comparado ao PSDB/DEM, mas é direita quando comparado ao PSTU/PCO e assim por diante.

O mundo seria relativamente fácil se pudesse ser simplificado numa dicotomia. Os bons seriam de esquerda e os maus de direita, mas o mundo é um pouco mais complexo. Mais do que repetir o truísmo, "na prática a teoria é outra", se trata de mostrar que as análises e as teorias e categorias sobre as quais se sustentam precisam se complexificarem para continuarem sendo instrumentos úteis de explicação e compreensão da realidade. Ou seja, qualquer esforço honesto de compreender a realidade irá perceber que o MANIQUEÍSMO é um instrumento de compreensão por demais precário. Seja o maniqueísmo de direita, seja o maniqueísmo de esquerda.

Do ponto de vista teórico, tenho afinidade com a esquerda. Creio que a desigualdade social é sim um problema central da humanidade e deve sê-lo também do Estado, a quem tem por dever dar soluções para o problema. Mas na prática tenho me deparado com algumas práticas da "Esquerda" que me deixam cada vez mais desanimados com o ser humano.

Quando por exemplo encontramos palestrantes esclarecidos propondo que dividamos os amigos dos inimigos exclusivamente segundo seus posicionamentos sobre um fato político, como por exemplo o Golpe do Governo Temer, por maior que seja a envergadura do acontecimento, ainda assim fico temeroso.

Fico temeroso quando vejo propostas de exclusão das pessoas dos grupos de whatsapp apenas porque elas não disseram SIM para os pensamentos que se pretendem os verdadeiros e justos.

Fico temeroso quando as pessoas insistem em enquadrar o mundo nos seus esquemas interpretativos ideais, como por exemplo querendo tratar os partidos e seus filiados como se fossem instrumentos coesos, quando na prática se sabe que boa parte dos partidos brasileiros são partidos pega-tudo. E que por mais errado que seja alguém estar num partido sem a preocupação que ele seja de fato um grupo, que tenha unidade entre programa, estatuto e prática, esta é a realidade de muitas pessoas.

Fico temeroso quando se defende analogias entre humanos e cobras, ou qualquer outro animal peçonhento, para justificar o combate firme, para ser eufêmico, a certos humanos. Dá para se imaginar o que deve se fazer com cobras, segundo algumas concepções.

Fico temeroso quando numa assembleia de supostos “educadores”, que dizem ter lido Paulo Freire, as falas das quais se discorda são vaiadas numa tentativa explicitamente protofacista de inibir e calar o divergente. Educadores tais, que lutam duramente contra a igualmente protofacista Lei da Mordaça.

Fico temeroso quando na microfísica do poder os golpes cotidianos que se leva não vem da maldosa e inimiga direita, mas dos companheiros de luta por um mundo melhor. A que se continuar perguntando. Melhor para quem? Melhor para quantos?

NENHUMA ILUSÃO COM O SER HUMANO, 


NENHUMA ILUSÃO COM O SER HUMANO, 


NENHUMA ILUSÃO COM O SER HUMANO...


Esteja ele em qualquer parte do espectro político.

domingo, 4 de setembro de 2016

O voto é importante, mas não vamos nos iludir - Por Antonio Marques



São muitos os anarquismos mas para simplificar diremos que todos propõem o Voto Nulo, o boicote às eleições pois Estado e Capital são instrumentos de controle complementares à serviço da Ditadura da Classe Burguesa. Os anarquismos objetivam uma sociedade sem classes e creem que para tal, entre outras recusas, está a de não disputar o parlamento, embora reconheçam o parlamento como instrumento de ataque aos trabalhadores. O diagnóstico pode estar certo, mas o método seria o melhor para resolver o problema? Quando não escolhemos entre as opções, a menos pior, recusamos a utilizar o mínimo de decisão que está em nossas mãos e isto faz a diferença. Apenas pessoas de escasso discernimento dirão que Lula e FHC são iguais, que Pimentel e Aécio são iguais, que Bolsonaro e Nilmário são iguais. Por isto voto. Não porque creio que o sistema como funciona está bom, mas porque não vejo possibilidade de melhorá-lo ignorando-o. O Estado é apenas um instrumento. Pode ser colocado à serviço da dominação ou à serviço da libertação e do bem comum. É tudo uma questão de massa crítica. E a mudança que não recusa o Estado demanda uma massa crítica bem menor do que a massa crítica necessária para qualquer mudança substancial sem o uso do Estado. Supondo que os objetivos sejam os mesmos e apenas os meios sejam diferentes temos que considerar que alguns meios gastam menos tempo e energia do que outros, que alguns meios criam o maior bem possível, no menor tempo, para o maior número de pessoas, pelo maior tempo possível do que outros meios e por isto devem ser escolhidos. Quem quiser boicotar o sistema tem meu apoio. Mas deveria de fato parar de pagar impostos, parar de usufruir da infraestrutura pública e criar autossuficiência, mas se forem ficar na sociedade, o voto nulo é um equívoco, caso seja fruto de uma pretensa consciência política e não do indiferentismo político e da apatia.

E se tirássemos apenas a primeira leva de candidatos, não melhoraria?  

Será que se tirássemos as primeiras lideranças que são orgânicas, surgidas das relações sociais concretas, apareceriam líderes bons? Se pudéssemos escolher livremente, entre candidatos e não candidatos, quem seria o brasileiro ou brasileira que deveria ser presidente do Brasil? Por que talvez na ilusão de tirarmos os ruins para que os bons surjam, podem surgir outros piores ainda. Feitos do mesmo material que é feito os políticos contemporâneos, o povo brasileiro. Se não sabemos quem vamos colocar vamos tirar toda a leva de primeiros candidatos? Penso a política como uma ciência, um esporte, uma administração....para tirar um jogador é bom saber quem vai substituí-lo.  Mas também não descarto a hipótese de que tirando os primeiros possa aparecer melhores depois. Há sim, sem dúvidas muitos talentos escondidos, muitas lideranças de alto gabarito que nunca tiveram suas habilidades demandadas, mas isto é bem raro, vamos concordar. Eu não saberia te dar um bom exemplo, na história.

É conversando que a gente se entende? Antonio Marques



Se há diferentes percepções e concepções de justiça, de humanidade, de corpo, de natureza, de vida, de morte, de bem-estar, de saúde, de práticas curativas, de dignidade humana...irão surgir, provavelmente, tensões entre moralidades divergentes e alternativas também múltiplas para resolverem os conflitos. Neste campo há desde a defesa do predomínio do mais forte até a construção de um acordo que tente satisfazer a todos os envolvidos, um pacto de convivência entre as diferenças e que leve em conta as cosmovisões de todos.

A construção de um acordo, de tal modo que os meios e os fins estejam unidos, só pode ser feita pelo diálogo voluntário. A Regra de Ouro então não é “não faças aos outros aquilo que não queres que te façam” mas sim “não faças aos outros aquilo que eles não querem que lhes seja feito”. Para isto precisamos dar voz a todos os envolvidos. O diálogo entre os indivíduos e as culturas pode possibilitar a cada um desenvolver tolerância às diferenças e consciência de nossas próprias incompletudes. ....várias comunidades morais podem coabitar o universo de uma nação, várias nações podem coabitar pacificamente num mesmo planeta...

Mas o diálogo, a discussão, o debate...públicos na sociedade civil brasileira ainda está no paleolítico. Muita gente não gosta nem mesmo de ser questionada mesmo que de modo respeitoso. Se alguém discorda do nosso ponto de vista temos que perguntar o porquê. E se o porquê não nos convencer, apresentar nosso argumento, e assim o diálogo pode fluir de modo a chegarmos a um consenso ou, ao menos, a uma compreensão,  com maior nitidez, das nossas diferenças. E se há desacordo quanto às categorias utilizadas, elas devem se tornar imediatamente a pauta da nossa interação. Apenas aferindo nossos termos e sintonizando nossas vibrações podemos verdadeiramente nos compreender.

E aqui na Terra, por mais que alguns se sintam superiores, somos todos sobreviventes e somos também todos mortais. Só não morre, os que não nasceram. Todos temos nossas convicções, mas isto não quer dizer que estamos todos certos. Há valores, sistemas de pensamento, pontos de vistas e argumentos melhores do que outros. Do ponto de vista do bem comum, o anti-racismo é melhor que o racismo, a anti-homofobia é melhor que a homofobia, o anti-fascismo é melhor que o fascismo, o feminismo é melhor que o machismo-femismo, o discernimento, a humildade e a maturidade são melhores que a presunção, a arrogância e a imaturidade.

O diálogo desta forma pode se tornar menos um véu que nos divide e mais um instrumento de humanização e auxílio na libertação dos sujeitos da condição de “seres para o outros” para a condição de “seres para si”.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A Canoa



Em um largo rio, de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para o outro.
Em uma das viagens, iam um advogado e uma professora.
Como quem gosta de falar muito, o advogado pergunta ao barqueiro:
- Companheiro, você entende de leis?
— Não! - respondeu o barqueiro
E o advogado compadecido:
— É uma pena, você perdeu metade da vida
A professora muito social, entra na conversa:
— Seu barqueiro, você sabe ler e escrever?
Também não, respondeu o barqueiro
— Que pena! - Condói-se a mestra
— Você perdeu metade de sua vida!
Nisso chega uma onda bastante forte e vira o barco
O barqueiro preocupado, pergunta:
— Vocês sabem nadar?
— Não! Responderam eles rapidamente
— Então é uma pena - Conclui o barqueiro
— Vocês perderam toda a vida


Há muitos saberes,  todos importantes. O que devemos aprender?

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Sorte, azar, escolha, acaso, destino...


"Havia numa Aldeia um velho muito pobre que possuía um lindo cavalo.
Numa manhã ele descobriu que o cavalo não estava na cocheira.
Os amigos disseram ao velho:
– Mas que desgraça, seu cavalo foi roubado!
E o velho respondeu:
– Calma, não cheguem a tanto.
Simplesmente digam que o cavalo não está mais na cocheira.
- O resto é julgamento de vocês.
As pessoas riram do velho.
Quinze dias depois, de repente, o cavalo voltou.
Ele havia fugido para a floresta.
E não apenas isso; ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo.
Novamente as pessoas se reuniram e disseram:
– Velho, você tinha razão.
Não era mesmo uma desgraça, e sim uma bênção.
E o velho disse:
– Vocês estão se precipitando de novo.
Quem pode dizer se é uma bênção ou não?
Apenas digam que o cavalo está de volta.
O velho tinha um único filho que começou a treinar os cavalos selvagens.
Apenas uma semana mais tarde, ele caiu de um dos cavalos e fraturou as pernas.
As pessoas se reuniram e, mais uma vez, se puseram a julgar:
– E não é que você tinha razão, velho?
Foi uma desgraça seu único filho perder o uso das duas pernas.
E o velho disse:
Mas vocês estão obcecados por julgamentos, hein?
Não se adiantem tanto.
Digam apenas que meu filho fraturou as pernas.
Ninguém sabe ainda se isso é uma desgraça ou uma bênção…
Aconteceu que, depois de algumas semanas, o País entrou em Guerra e todos os jovens da aldeia foram obrigados a se alistar, menos o filho do velho.
E os que foram para a guerra, morreram…
Se basearmos nossos julgamentos em pequenos fragmentos de informação cairemos na armadilha das conclusões precipitadas.
Nunca encerre uma questão de forma definitiva, pois quando um caminho termina, outro começa, quando uma porta se fecha, outra se abre…
As vezes vemos apenas a desgraça e não vemos a bênção que ela nos traz…"


Autor desconhecido.


quarta-feira, 27 de julho de 2016

Os monges e a mulher no rio


Relata-se, que em um monastério, viviam dois monges que eram muito amigos e sempre cumpriam seus afazeres em conjunto.
É fato que monges não podem se aproximar de mulheres, nem ao menos, nelas tocar.
Certo dia, ao atravessarem a floresta para comprar mantimentos na cidade, se depararam com uma mulher que estava com dificuldades para atravessar o rio que dava acesso ao vilarejo e que se encontrava agitadíssimo.
Um dos monges disse:
– Não podemos ajudá-la, fizemos voto de que não poderíamos tocar em mulher alguma.
O outro monge replicou:
– Também fizemos voto de ajudar a todas as pessoas e criaturas deste mundo, sem haver distinção.
Então, este mesmo monge colocou a mulher em suas costas e atravessou o rio, deixando-a na outra margem.
Os dois monges seguiram caminho e durante a jornada houve uma grande pausa na conversação dos mesmos.
Logo, o silêncio foi interrompido pelo monge que era contra a idéia de carregar a jovem, que disse:
– Você não devia tê-la carregado, ela vai ser um peso para sua caminhada!
O outro monge, sabiamente respondeu:
– Eu deixei a mulher na outra margem do rio. No entanto, você é quem continua carregando a mulher na sua caminhada…
Autor desconhecido

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Nós ricos agradecemos a vocês!

 

Sejam honestos! Vocês nunca ganharam na loteria, mas suas chances de se escravizarem em algum emprego para o resto de suas vidas são bem altas. Isto, porque vocês nasceram na classe social errada. Encarem a realidade! Vocês são a massa trabalhadora: vocês não têm instrução, posição social, conexão, bons modos, boa aparência, nem mesmo bom gosto para ser um de nós. É claro que, em um sistema hierárquico como o nosso, não há muito espaço no topo. E de qualquer forma, ele já está ocupado por nós, aliás, gostamos tanto daqui de cima que queremos permanecer. Em compensação, sempre há alguém mais embaixo na hierarquia social para vocês se sentirem superiores e chutarem de vez em quando. Mesmo um lavador de pratos pode encontrar alguém em pior situação do que ele para cuspir em cima. Então, agradeçam às prostitutas, trabalhadores informais, miseráveis, presidiários e mendigos. Lembrem-se sempre de que, se todos fossem economicamente seguros e socialmente privilegiados, como nós, não sobrariam ninguém para fazer todos aqueles trabalhos de merdas, chatos e perigosos, tampouco para lutar nas guerras ou obedecer cegamente nas corporações militares. E tampouco sobraria alguém para, submissamente, deixar-se matar sem ter vivido uma vida plena e criativa. Então, continuem trabalhando! Além do mais, vocês não tem os mesmo vícios, ganâncias, desejos compulsivos de comprar, de possuir riqueza, poderes, prestígios,... que nós temos. Se ao menos vocês desejassem sinceramente a liberdade. Mas vocês temem ser livres, mantendo-se em uma espécie de torpor, e passam pela vida cumprindo mecanicamente suas funções na sociedade, horrorizados com o que os outros pensam se você ousa "sair da linha". Nós jogamos vocês uns contra os outros, sempre que achamos necessário: trabalhadores especializados contra trabalhadores não especializados, sindicalistas contra não sindicalistas, brancos contra negros, americanos contra iraquianos, contra mexicanos, contra japoneses, contra... Nós rebaixamos seus salários alegando "competição estrangeira", "lei da oferta e da procura" ou "segurança nacional". Quando vocês ameaçam nossos lucros, nós lançamos vocês na multidão dos desempregados. Nós, inclusive, deixamos vocês votarem em um dos nossos políticos. Ainda bem que vocês não compreendem como isso funciona. Em vez disso, vocês responsabilizam os negros, as mulheres que recebem assistência social, os meninos de rua, os excêntricos, todos, exceto nós, por sua situação problemática. No entanto, se vocês quisessem, a vida poderia ser diferente. A sociedade seria organizada para atender as necessidades reais da população em geral. Vocês controlariam suas próprias atividades e não seriam marionetes de ninguém, mas vocês nem mesmo conseguem imaginar isso. Esta é, provavelmente, a maior realização do sistema capitalista: roubar de vocês a imaginação, a criatividade e a habilidade de pensar por si mesmos. Finalmente, nós gostaríamos de agradecer a vocês, de verdade, do fundo de nossos corações. São trabalhadores obedientes como vocês que fazem com que nossas vidas sejam tão agradáveis. Seu cotidiano de sacrifício torna possível a nossa ostentação. É o trabalho de vocês que fazem nosso sistema funcionar. Então, mais uma vez, obrigado por "conhecer o seu lugar!"E não esqueçam: "quem tem a grana faz a lei"!

Assinado: A Classe Dominante


Fonte:  Revista Letralivre nº 42 (modificado).

Um Koan


Um homem decidiu ir estudar com um mestre. Ele dirigiu-se à porta deste mestre. “Quem é você, que pretende estudar aqui?” perguntou o mestre. O estudante disse ao mestre seu nome. “Isso não é quem você é, apenas como você é chamado. Quem é você, que pretende estudar aqui?” ele perguntou novamente. O homem pensou por um momento, e respondeu: “Eu sou um professor.” “Isso é o que você faz, não quem você é”, replicou o mestre. “Quem é você, que pretende estudar aqui?” Confuso, o homem pensou um pouco mais. Finalmente, ele respondeu: “Eu sou um ser humano.” “Isso é somente sua espécie, não quem você é. Quem é você, que pretende estudar aqui?” perguntou o mestre de novo. Após um momento de reflexão, o professor respondeu: “Eu sou uma consciência habitando um corpo arbitrário.” “Isso é meramente O QUE você é, não QUEM você é. Quem é você, que pretende estudar aqui?” O homem estava ficando irritado. “Eu sou…” ele começou a dizer, mas não conseguia pensar em mais nada para falar, então se dispersou. Após uma longa pausa, o mestre respondeu “Então você é bem-vindo aos estudos.”
Fonte desconhecida

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Sócios ou hóspedes?



Um amigo veio a minha casa tomar café, sentamos e conversamos, falando sobre a vida. A um certo ponto da conversa, disse: “Vou num instante lavar os pratos que ficaram por lavar”.

Ele olhou para mim como se eu lhe tivesse dito que ia construir um foguete espacial. Então ele me disse, com admiração mas um pouco perplexo: “Ainda bem que você ajuda a sua mulher, quando eu o faço a minha mulher não elogia. Ainda na semana passada lavei o chão e nem um obrigada.”

Voltei a sentar-me com ele e lhe expliquei que eu não ajudo a minha mulher. Como regra, a minha mulher não necessita de ajuda, ela tem necessidade de um sócio. Eu sou um sócio em casa e por via dessa sociedade as tarefas são divididas, mas não se trata certamente de um apoio à casa.

Eu não ajudo a minha mulher a limpar a casa porque eu também vivo aqui e é necessário que eu também limpe.

Eu não ajudo a minha mulher a cozinhar porque eu também quero comer e é necessário que eu também cozinhe.

Eu não ajudo a minha mulher a lavar os pratos depois da refeição porque eu também usei esses pratos.

Eu não ajudo a minha mulher com os filhos porque eles também são meus filhos e a minha função é ser pai.

Eu não ajudo a minha mulher a estender ou a dobrar a roupa, porque também é roupa minha e dos meus filhos.

Eu não sou uma ajuda em casa, sou parte da casa. E no que diz respeito a elogiar, perguntei ao meu amigo quando é que foi a última vez que, depois da sua mulher acabar de limpar a casa, tratar da roupa, mudar os lençóis da cama, dar banho aos filhos, cozinhar, organizar, etc., ele lhe tinha dito obrigado?
Mas um obrigado do tipo: wow!!! Minha querida esposa! Você é fantástica!!!

Isso te parece absurdo? Está te parecendo estranho? Quando você, uma vez na vida, limpou o chão, você esperava no mínimo um prêmio de excelência com muita glória… Porquê? Nunca pensou nisso, amigo?
Talvez porque para você é um dado adquirido que tudo seja tarefa dela?

Talvez você se tenha habituado a que tudo isto seja feito sem que você tenha de mexer um dedo? Então elogia-a como você queria ser elogiado, da mesma forma, com a mesma intensidade. Dá uma mão, se comporte como um verdadeiro companheiro, não como um hóspede que só vem comer, dormir, tomar banho… Sinta-se em casa. Na sua casa.

Texto: autor desconhecido

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Dúvidas Pascoais


- Papai, o que é Páscoa?
- Ora, Páscoa é... bem... é uma festa religiosa!
- Igual ao Natal?
- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.
- Ressurreição?
- É, ressurreição. Marta, vem cá!
- Sim? - Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.
- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
- Mais ou menos... Mamãe, Jesus era um coelho?
- Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado!
- Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola?
- Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!
- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?
- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
- O Espírito Santo também é Deus?
- É sim.
- E Minas Gerais?
- Sacrilégio!!!
- É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?
- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudinho!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
- Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.
- Coelho bota ovo?
- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!
- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
- Era... era melhor, sim... ou então urubu.
- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né? Que dia que ele morreu?
- Isso eu sei: na Sexta-feira Santa.
- Que dia e que mês?
- (???) Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na Sexta-feira Santa e ressuscitou três dias depois, no Sábado de Aleluia.
- Um dia depois!
- Não, três dias depois.
- Então morreu na quarta-feira.
- Não, morreu na Sexta-feira Santa... ou terá sido na Quarta-feira de Cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois!
- Como?
- Pergunte à sua professora de catecismo!
- Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
- É que hoje é Sábado de Aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
- O Judas traiu Jesus no sábado?
- Claro que não! Se Jesus morreu na sexta!!!
- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
- Ui...
- Papai, qual era o sobrenome de Jesus?
- Cristo. Jesus Cristo.
- Só?
- Que eu saiba sim, por quê?
- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
- Ai Coitada!
- Coitada de quem?
- Da sua professora de catecismo!

Antonio Rocha Neto é autor de "Dúvidas Pascoais" ( http://marmota.org/blog/antonio-rocha-neto-e-o-autor-de-duvidas-pascoais/ ) e não Luis Fernando Veríssimo.

domingo, 10 de julho de 2016

Neste ano diariamente melhoro...



01) Neste ano diariamente melhoro minha alimentação. Ela será saudável, integral e principalmente orgânica. Utilizarei a comida também como instrumento de melhoria social. Nenhum animal precisará ser maltratado para que eu possa me alimentar. Comerei menos quantidade e mais qualidade. Na medida do possível dispensarei os industrializados e desnaturados, apoiando feiras e agricultores ecologistas.

02) Neste ano diariamente melhoro meus movimentos. Serei atencioso com meu corpo e darei a ele a atividade física necessária para que possa ser boa base de sustentação durante minha passagem pelo mundo. Optarei entre ioga, natação, ginástica, musculação ou outro que traga resultados satisfatórios e serei absolutamente disciplinado na freqüência às aulas. Reconhecerei a importância da caminhada diária e do alongamento corporal.

03) Neste ano diariamente melhoro minha renda. Terei máxima atenção às possibilidades de bons negócios, oportunidades de trabalhos e empregos, reservas e poupanças. Estou aberto a mudanças, sem pré-conceitos mas focado na atividade mais lucrativa com responsabilidade social e sustentabilidade. Valorizarei minhas atividades profissionais fazendo mais cursos e estudando logísticas para a qualidade.

04) Neste ano diariamente melhoro minhas emoções. Ouço somente música de boa qualidade que tenha bom conteúdo ou possa elevar a alma. Escolho os melhores filmes e documentários. Freqüento espetáculos de teatro, orquestras e óperas. Leio somente textos que incentivem a paz e a cidadania. Sou tranqüilo e tenho ótimo humor a partir desses alimentos emocionais de boa qualidade.  Se necessitar, buscarei grupos de apoio e terapias eficientes.

05)  Neste ano diariamente melhoro meu senso artístico. Pratico a arte que mais se afine com minha personalidade, seja canto, dança, pintura, escultura, fotografia, teatro ou outra de visível divindade. O importante é que a arte está sempre presente em minha vida como ferramenta de promoção da alegria e conexão com meu próprio ser. Se possível a compartilharei com outros para tornar suas vidas melhores. 

06) Neste ano diariamente melhoro meu comportamento. Não respondo às agressões e provocações comuns ao dia-a-dia. Enxergo somente as melhores qualidades nos seres humanos. Vejo todos os homens e mulheres como meus irmãos e irmãs. Reclamo muito menos e ajo muito mais. Falo muito menos e ouço muito mais. Sou uma pessoa de magnetismo pessoal tão elevado, de palavras tão sinceras que todos desejam minha amizade e minha presença.

07) Neste ano diariamente melhoro a preservação ambiental. Estou atento a todas as oportunidades de não poluir a terra, a água e o ar. Me esforço para utilizar produtos bio-degradáveis. Separo o lixo corretamente. Tomo banhos breves e o mais próximos possível do frio. Saio de transporte coletivo sempre que possível. Planto muito mais árvores, flores e alimentos. Denuncio maus tratos com seres sensíveis, não utilizo produtos produzidos a partir da dor animal e apóio todas as iniciativas ecológicas possíveis.

08) Neste ano diariamente melhoro minha alma. Reconheço a autoridade dos genuínos mestres espirituais. Respeito todos os cultos e tendências religiosas mas tenho meu referencial espiritual seguro não borboleteando ou colecionando grupos aleatoriamente. Desenvolvo a oração e a meditação de forma incessante, reconhecendo que oração e meditação são artes para resolução de problemas e auto-conhecimento. Sei que o clímax da ética é amar o próximo como a mim mesmo. A espiritualidade é para mim sinônimo de serviço incondicional à vida e às pessoas. Elejo um grupo que necessite de meu apoio voluntário e durante o ano oferecerei o melhor de mim a ele.

Autor: Alexandre Pimentel