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sábado, 4 de outubro de 2014

Votar ou não? Em quem? Por quê?



Entendo a indignação e desilusão em geral com a política, mas quanto mais desilusão, sobretudo se convertida em voto nulo, mais o parlamento fica livre para ser ocupado pelos que possuem interesses declaradamente contrários ao bem comum. Em tempos sombrios como este, resta-nos não esmorecer. O discurso antipolítica tem nos afastado ainda mais da participação política e do controle social do estado.


Em geral nos falta muitos dados para fazermos uma escolha política bem informada, mas mesmo que tivéssemos os dados, temos que saber qual Projeto de Sociedade almejamos. Neste sentido há dois grandes pólos muito explícitos, de um lado, temos a elite brasileira que a nível global são agentes locais em colaboração com o Império financeiro angloamericano. Aqui no Brasil fazem parte da Associação de Agronegócio, da Bancada ruralista, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Direita partidária (PSDB, DEM) e são ou representam os donos dos bancos, das grandes construtoras, de fábricas e empresas, de usinas, das tevês, rádios, jornais e portais da internet...Do lado oposto temos a classe trabalhadora e popular, indígenas, movimentos sociais, população LGBT, sindicatos trabalhistas, centrais sindicais, Justiça do Trabalho e algumas Ongs...É à favor deste lado que pretendo me posicionar.


A política pode ser um instrumento valioso em defesa dos interesses do povo e pode ter um papel transformador voltado ao bem comum. Mas o voto é apenas mais uma maneira de enfrentarmos esta enorme disparidade de forças. Devemos continuar com as tarefas de organização e formação para além da questão eleitoral e institucional. Os movimentos sociais é que precisam se empoderar para transformarem a sua influência social em poder político efetivo. É o povo organizado, como força social, que pode enfrentar com mais vigor os grandes problemas do povo brasileiro.


Veja algumas propostas de soluções:


Minha candidata presidencial é Luciana Genro, do Psol, um dos poucos partidos capazes de capturar a insatisfação com a velha política manifestada por milhões que saíram às ruas em junho de 2013.


E no segundo turno, pretendo votar na Dilma e não vejo problema em si na reeleição. A possibilidade de alternar o poder é uma necessidade para a democracia, contudo sua obrigatoriedade não. O princípio fundamental da democracia é a soberania popular e não a alternância no poder.


E porque voto no PT no segundo turno? Porque qualquer comparação evidencia o quanto essas duas últimas gestões foram mais eficientes em termos de política social. No governo do PT se implementou muitos Programas de Caráter Social: o Bolsa-Família, o ProUni, o Brasil Sorridente, a Farmácia Popular, o Luz Para Todos, a Minha Casa Minha Vida, o Pronatec, o ProUni, o Ciência Sem Fronteiras, o Água Para Todos...e não há dúvida de que agora as pessoas vivem melhor do que há quinze ou vinte anos atrás. Quando analisamos os indicadores econômicos e sociais percebemos inúmeros avanços. O grau de inclusão social foi o mais elevado da história do país, com várias pessoas deixando a miséria e famílias pobres vendo seus filhos ingressarem em uma universidade pela primeira vez.


Veja alguns dados, embora ainda fragmentados:
Dados: PT x PSDB: Gestões petistas e tucana em comparação: http://www.valor.com.br/sites/default/files/gn/13/02/arte21pol-103-aecio-a8.jpg


Mais e a corrupção? Nunca vimos tanta corrupção como agora? A corrupção tem sido um mal constante na nossa história, em todos os governos, e não podemos isolar um caso dos demais e torná-lo único. O quanto de corrupção houve em cada um dos governos? No governo do PT teve mensalão, as sanguessugas, Erenice Guerra, Waldomiro Diniz, Correios...e no governo FHC teve SUDAM, SUDENE, Anões do Orçamento, mensalão da reeleição, SIVAM, etc. A corrupção é errada e toda ela deveria ser investigada, seja feita para comprar votos, seja para pagar dívida de campanha,...Apesar de haver corrupção em ambos os governos, os últimos anos foram marcados por um combate inédito ao crime com Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República independentes para apurar denúncias. É possível avançar ainda mais no controle social da destinação dos recursos públicos, por meio de conselhos setoriais e comitês gestores dos órgãos públicos.


O Brasil é um país com profundas e históricas desigualdades sociais e econômicas e estamos vivendo o maior período democrático da nossa história (25 anos, sete eleições consecutivas). O Lula (2002) represa uma virada no destino político do nosso país, com ele tivemos o primeiro governo popular em 502 anos. Mas as mudanças que o PT realizou foram de pequena magnitude. Os avanços são fracos, a conta-gotas. O PT apesar de se constituir de grupos oriundos da classe trabalhadora, governou segundo os interesses prioritários do capital. O PT tem se limitado a Administrar o Capitalismo. Nenhuma reforma estrutural aconteceu. Tempo deu. Faltou coragem, vontade ou força política? O que foi feito e o quanto se poderia fazer e não se fez? Podia ter feito muito mais. O processo político tem alterado de modo estrutural a desigualdade e exploração secular? O quanto da riqueza do país está nas mãos dos 10% mais ricos da população brasileira? Qual o tamanho da diminuição da pobreza diante da tamanha desigualdade econômico-social brasileira? O Brasil está entre as 6 maiores economias mundiais mas nosso índice de desenvolvimento humano está por volta de 79º lugar, apesar de ricos, temos grande desigualdade e concentração de renda. Em 2006, 1% dos proprietários rurais detinha por volta de 44% da propriedade da terra e hoje? Mesmo com programas sociais federais e estaduais e apesar dos recordes de produção agrícola a fome ainda faz parte do convívio de um número grande de pessoas, aproximadamente 9 milhões. Número elevado, tendo em vista a extensão territorial do país que apresenta grande potencial agrícola, contudo com grande concentração fundiária e de renda e com uma monocultura de exportação, em grande parte destinada à nutrição animal em países centrais.


E Dilma Rousseff nas áreas do meio ambiente, quilombolas e indígenas pode ser pior que Marina Silva. Tenho familiares e amigos que vão votar na Marina. Ela tem seus méritos: o desmatamento da Amazônia não aumentou durante a sua gestão frente ao MMA. Foi sob seu ministério que o governo Lula criou o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do desmatamento na Amazônia e iniciou-se a reversão do quadro histórico, o enfrentamento da dinâmica em suas diversas frentes, e se idealizou o marco regulatório e normativo que permitiram a redução das taxas de desmatamento...contudo em sua gestão enquanto ministra também licenciou grandes obras que representam danos ambientais e sociais. Sua inconstância nem sempre é positiva, nos últimos 5 anos esteve em 4 partidos diferentes: PT (1985-2009), PV (2009-2011), REDE (fev/2013 - out/2013) e PSB (out/2013 até o momento). Avaliando os prós e contras entre Marina e Dilma, creio que a Dilma tem mais condições de dar continuidade nas importantes transformações econômicas e sociais que estão no começo, sobretudo pelo PT ter uma base parlamentar bem maior. É preciso melhorar muito ainda, seguir avançando, fazer mais e mais transformações no Brasil, garantir, consolidar e ampliar as políticas favoráveis à nossa emancipação.


Mas e se as mudanças realizadas pelo PT foram tão poucas, o que move este enorme ódio contra ele? É sobretudo porque a elite brasileira, fundada e perpetuada no escravismo, luta ferozmente para manter qualquer migalha que caia dos seus privilégios. E a elite vota no PSDB e no DEM e quem tem um pouco mais de idade sabe que no último governo do PSDB na presidência do país, do mega-entreguista FHC, faltava empregos, o poder aquisitivo da população não existia, as empresas nacionais ao invés de receber qualificação e apoio, foram todas entregues ao capital estrangeiro, além da revogação de muitos direitos adquiridos pelos trabalhadores, como o aumento do tempo de contribuição para aposentadoria e criação do fator previdenciário. A dúvida entre Dilma e Marina é compreensível, mas reeleger o PSDB é sem dúvida alguma um grande retrocesso. Como exemplos, além da Presidência no Governo FHC, do governo de São Paulo, temos também a experiência no Governo de Minas, que deixou a educação em situação lastimável. 


Referências:


BOUCHER, Doug. How Brazil Has Dramatically Reduced Tropical Deforestation. http://www.resilience.org/stories/2014-07-03/how-brazil-has-dramatically-reduced-tropical-deforestation

CARVALHO, Luiz e RAMOS, Vanessa. Juristas atacam programa de Marina Silva que defende terceirização sem limites. http://www.cut.org.br/noticias/juristas-atacam-pontos-do-programa-de-governo-de-marina-que-defende-terceirizaca-e6f3/

FURTADO. Jorge. Cineasta explica os motivos que o fizeram apoiar a reeleição de Dilma Rousseff. http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/09/jorge-furtado-voto-contra-tudo-isso-que-esta-ai/

GENRO, Luciana. Marina é a segunda via do PSDB. 20/08/2014. http://www.cartacapital.com.br/politica/marina-e-a-segunda-via-do-psdb-9911.html

IASI, Mauro. Candidato a presidente do PCB. https://www.youtube.com/watch?v=W2gzITZAiA8

JESUS, Jaqueline. Retiro meu apoio a Marina Silva. http://jaquejesus.blogspot.com.br/2014/08/porque-votarei-em-marina-silva.html

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